quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AGRICULTOR

O carro de bois canta
Aproxima-me papai
Mãos de pedra
Do cabo da enxada
Tornam-se veludo em carinho
Quando em meu rosto tocam
Despe a poeira do sol
Suaviza o olhar
A boia sobre a mesa
Risca a face de alegria.

Madá
(pseudônimo que assina o poema enviado ao concurso Histórias do Trabalho 2009, ao qual tive o prazer de selecionar como jurado..)

"o poeta" Odilon Machado de Lourenço

Quando o poeta morrer

ao caro J. J. Gonçalves

Passarei a eternidade psicografando línguas mortas

Escrevendo linhas mortas

Amando...

Buscando o puro amor da palavra

E depois de tudo ao chegar minha morte

Não querer ser perdoado de nada.

.o0o. .o0o. .o0o.

Estilista

Fala tua rouca voz no meu delírio
Modela tua luta em minhas mãos
Risca tua língua o crocki do meu corpo
Corta o papel das minhas forças em teu hálito
Costura a medida deste sonho em minha vida
Aproxima o indefinido desejo dos teus olhos
Apaga do meu verso amargo a solidão
Rasga o erro dos desenhos impensados
Dobra o tecido da minha sombra ao pôr-do-sol.

sábado, 19 de setembro de 2009

“Desejamos para todos pão, liberdade,
amor e saber. Para isso, estimamos necessário
que os meios de produção estejam à disposição
de todos e que nenhum homem, ou grupo de homens,
possa obrigar outros a obedecerem a sua vontade,
nem exercer sua influência de outra forma
senão pela argumentação e pelo exemplo.”
Errico Malatesta

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Quando a dor é queixume na voz e no rosto, é
nos olhos penumbra, e desolação pesada nos braços
frouxos; quando a alegria se expande por maneiras
opostas, cintilando até na luz das pupilas; quando a
imponência de um mistério ou de um rasgo heróico
abruma ou exalta respectivamente toda a ação oratória;
quando no estilo histórico desliza simplesmente com
a natural dicção de quem narra e no idílico apaixona e
no trágico espanta e no épico exalta e arrebata; quando
no belo recreia e no feio horroriza, e na virtude atrai,
e no vício repugna, e do dificultoso imprime valor, e
em cada paixão retrata e produz os seus efeitos próprios,
- o orador chegou ao ponto culminate da inspiração."
(Diaz - La Declamacion en la Oratoria Sagrada - pg.25-26)

Tunc Judas, unus e filiis Jacobi, dixit patri:
"Committe mihi puerum; ego illum recipio in fidem
mean; ego servabo, ego reducam illum ad te; nisi
fecero, hujus rei culpa in me residebit. Si voluisses
cum statim dimittere, jam secundò huc rediissemus."
Tandem victus pater annuit: "Quoniam necesse est,
inquit, proficiscatur Benjaminus vobiscum. Deferte
viro munera et duplum pretium, ne fortè errore factum
sit ut vobis redderetur prior pecunia."
(Lhomond - Historiae Sacrae - pg. 24)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O samba comeu
ao largo chamou
rendeu tanta bamba
que até chuva cambou
Vem que vem
vou que vou
no batuque de bamba
de quebra, encantou
E a chuva caiu
toda roda gingou
o feitio do cavaco
que o samba chorou
Vem que vem
vou que vou
no batuque de bamba
de quebra, encantou
A viola ferveu
todo corpo enfeitou
quebra lundu-samba
que o pandeiro brincou
Vem que vem
vou que vou
no batuque de bamba
de quebra, encantou

quarta-feira, 15 de julho de 2009

NOTHING
Pagu (Patricia Rehder Galvão)
Publicado n'A Tribuna, Santos - SP, em 23/setembro/1962

Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel's check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.

domingo, 28 de junho de 2009

Presente como a brisa suave em mato fundo.
Mais forte que o som da cascata na chuva.
Verão que me aquece desde as andorinhas...

O rio de cada dia, sempre diverso na sua sede,
De onde me banho em prazer, alegria, sensibilidade.

Dos enlevos, destemido, o amor.

domingo, 21 de junho de 2009

"Huitzilopoxtli, guerreiro,
Colibri à esquerda,
Em círculos de jade estende-se a cidade,
irradiando luz como plumas de quetzal...

Como um escudo que desce,
o Sol se oculta.
Cai a noite no México,
a guerra nos ronda
- Oh! Doador da Vida! -
a guerra se aproxima.

Minha morte florida:
já a folha de obsidiana beija suas pétalas."

Poesia náuatle (pré-colombiana)


*Frente ao inconciliável, sugerem alguns antropólogos, o pensamento recorre aos mitos: e o México é um espaço mítico por excelência. Para os astecas, o brilhante colibri encarnava Huitzilopoxtli, o deus da Guerra em luta permanente com Quetzalcoatl, 'dador' da Vida. Quetzalcoatl morria. Para revivê-lo, para que o Cosmos (e a Razão) retomasse sua Ordem, era nexessário derramar sangue: a guerra ritual e seus sacrifícios, 'a morte florida'. Os passos de uma dança terrível reproduziam, invocavam, recolocavam a Ordem Cósmica, alimentada com esse sangue. Mas para os astecas a História era imutável, marcada apenas por catastróficos ciclos solares."

extraído de 'A Revolução Mexicana' de Héctor Alimonda, ed. Moderna, São Paulo, 1986.

sábado, 13 de junho de 2009

Um luar frio me toma os ossos.
Flutuo de barriga à mostra,
e nesse eixo, de base destituída,
empurro na vida o que é nosso.

Permeado - com o que seguro toda carne -
o calor entrelaça-me longo aos olhos.
A par da manhã ouço-o peito,
enquanto atiras um beijo à forma vaga do meu corpo.

A busca suspira em desbravada fala. Eu
quebro gelo em ares, afloramentos ideais,
com meus punhos, unhas, ritos, atos,
e divago numa consciência em Goa.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

CONTINUAMANDO
Mesmo à distância alcanço teus olhos..
Sinto bater este teu olhar flor do dia!
Onde toda felicidade me transpassa,
pulsa, até que à noite se renova, Rosa.

segunda-feira, 16 de março de 2009

armada a cena
(levanto
-alto lá!-
a pena)
arranha céus
retomba humrbana
zanga vociferaz

a ti, legitimas câmaras,
suas cacofônicas
graças,

garcejas prevaricatórias
(ao teu voto)
se embolsa
notas de noticiário
de prata

sagaz
-da fúria exata -
escapa
a côrte
apraz se enalta
cutelo na mão

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

- to prestando
bastante atenção
nas críticas que recebo, ultimamente.

- ...

- to querendo melhorar..

terça-feira, 8 de julho de 2008

Inexiste no mundo coisa mais mal distribuída
que a rapadura, visto que cada indivíduo
acredita ser tão mal provido dela,
que, mesmo os mais fáceis de satisfazer
em qualquer outro aspecto,
não costumam desejar possuí-la menos

do que já possuem.



- Anônimo, parede da Estufa