quarta-feira, 15 de julho de 2009






















NOTHING
Pagu (Patricia Rehder Galvão)
Publicado n'A Tribuna, Santos - SP, em 23/setembro/1962

Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel's check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.

domingo, 28 de junho de 2009

Presente como a brisa suave em mato fundo.
Mais forte que o som da cascata na chuva.
Verão que me aquece desde as andorinhas...

O rio de cada dia, sempre diverso na sua sede,
De onde me banho em prazer, alegria, sensibilidade.

Dos enlevos, destemido, o amor.

domingo, 21 de junho de 2009

"Huitzilopoxtli, guerreiro,
Colibri à esquerda,
Em círculos de jade estende-se a cidade,
irradiando luz como plumas de quetzal...

Como um escudo que desce,
o Sol se oculta.
Cai a noite no México,
a guerra nos ronda
- Oh! Doador da Vida! -
a guerra se aproxima.

Minha morte florida:
já a folha de obsidiana beija suas pétalas."

Poesia náuatle (pré-colombiana)


*Frente ao inconciliável, sugerem alguns antropólogos, o pensamento recorre aos mitos: e o México é um espaço mítico por excelência. Para os astecas, o brilhante colibri encarnava Huitzilopoxtli, o deus da Guerra em luta permanente com Quetzalcoatl, 'dador' da Vida. Quetzalcoatl morria. Para revivê-lo, para que o Cosmos (e a Razão) retomasse sua Ordem, era nexessário derramar sangue: a guerra ritual e seus sacrifícios, 'a morte florida'. Os passos de uma dança terrível reproduziam, invocavam, recolocavam a Ordem Cósmica, alimentada com esse sangue. Mas para os astecas a História era imutável, marcada apenas por catastróficos ciclos solares."

extraído de 'A Revolução Mexicana' de Héctor Alimonda, ed. Moderna, São Paulo, 1986.

sábado, 13 de junho de 2009

Um luar frio me toma os ossos.
Flutuo de barriga à mostra,
e nesse eixo, de base destituída,
empurro na vida o que é nosso.

Permeado - com o que seguro toda carne -
o calor entrelaça-me longo aos olhos.
A par da manhã ouço-o peito,
enquanto atiras um beijo à forma vaga do meu corpo.

A busca suspira em desbravada fala. Eu
quebro gelo em ares, afloramentos ideais,
com meus punhos, unhas, ritos, atos,
e divago numa consciência em Goa.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

CONTINUAMANDO
Mesmo à distância alcanço teus olhos..
Sinto bater este teu olhar flor do dia!
Onde toda felicidade me transpassa,
pulsa, até que à noite se renova, Rosa.

segunda-feira, 16 de março de 2009

armada a cena
(levanto
-alto lá!-
a pena)
arranha céus
retomba humrbana
zanga vociferaz

a ti, legitimas câmaras,
suas cacofônicas
graças,

garcejas prevaricatórias
(ao teu voto)
se embolsa
notas de noticiário
de prata

sagaz
-da fúria exata -
escapa
a côrte
apraz se enalta
cutelo na mão

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

- to prestando
bastante atenção
nas críticas que recebo, ultimamente.

- ...

- to querendo melhorar..

terça-feira, 8 de julho de 2008

Inexiste no mundo coisa mais mal distribuída
que a rapadura, visto que cada indivíduo
acredita ser tão mal provido dela,
que, mesmo os mais fáceis de satisfazer
em qualquer outro aspecto,
não costumam desejar possuí-la menos

do que já possuem.



- Anônimo, parede da Estufa

terça-feira, 1 de julho de 2008

verti da vida ao ver-te
viola a toda, diversa

versa a manta e vai-me

ventana ávida e suave

voa meu inverno quente
visa, risa, viva verter-te

quinta-feira, 5 de junho de 2008

gosto desde a mordida
(nem prova-se nuca)
ato-nos 'sabe um dia'
e ensejo, usufruta..

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Tão cheio de rábulas,
protocolização e proponentes..
- Diacho! Que língua é essa,
que nunca morde e envenena-se?
Velha ditadura moral,
absoluta no juízo, quase hereditário..
- Nah.. isto é, em caso de dúvida
cometa ao artigo inexpecífico.
Estado de direito intangível,
mérito empresarial intempestivo..
- Tudo pode.. galgando o permissivo,
depende.. e o caráter essencial?
Recursos interpostos por supostos infratores
no inciso suspensivo, blablablá..
- Despacho do órgão julgador,
assinalará num dia útil subseqüente.
Autuação duvidosa,
defesa imune, judiciária..
- Imposta ao parlamento,
não retorna a quem os promoveu?
Mera ladainha fiscalizativa,
desativada na nova resolução..
- É vossa a porcaria, descumprimento-o
(Soluço) -> VETADO.

domingo, 11 de maio de 2008

vir e ser
não me brilhou nenhuma faísca, ainda
reluz no sorriso e por enquanto me basta..
'eu peito absorve outra amada
e dela perto te chegas
,deslumbre perceptivo,
saber-te perto ao fogo..

vir a ser
não me causou nenhuma batida, vibra
a pena saudada e um tanto contínua toca..
'eu mamilo emana a marca
e de longe me aprochegas
,só na nossa brisa,
clareia longe um fátuo..

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Amo
cortesia desnexa
esquinas
lavradas a pá
dizer nem quer
nada
eis que ela cruza
e grita à boca
- sem
palavras -
fita exultada
de rubro
nada tênue
lábios um fio
e passa
na cidade
baixando a vista
e quieto de vista
Perco